26 junho 2010

Desânimo

Que mimos me confortam?
Que doce luz me acena?
Eu tenho muita pena
De ter nascido até!

Quisera antes ao pé
D'uma árvore frondosa
Ter já em cima a lousa
E descansar enfim!

Ali, nem tu de mim
De certo te lembravas,
Nem estas feras bravas
Me iriam assaltar!

Ali, teria um ar
Mais puro e respirável,
E a paz imperturbavel
De quem, enfim, morreu!

D'alli, veria o céu
Ora sereno e puro,
Ora toldado e escuro...
Ainda assim melhor,

Que este areal de amor
Onde ando ao desamparo,
Onde a ninguém sou caro
E nem, a mim, ninguém!

Ali passara eu bem
A noite derradeira
Á sombra hospitaleira
Que mais ninguem me dá!

Tu mesma, que não há
Quem eu mais queira e ame,
Quem a minha alma inflame
De mais ardente amor,

Os ais da minha dor
A ti o que te importam?
Teus olhos nem suportam
A minha vista ao pé!

Que mimos me confortam?
Que doce luz me acena?
Eu tenho muita pena
De ter nascido até...

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